04/30/2006
Tradução
Entre revelar um segredo e outro: tradução. Tradução de. Rutilâncias. Quando é mesmo que eu costuro teus beijos com os meus? Quando foi que parti? Sei que estava frio e que não havia ânsia. Era uma calma quase sutil, não fosse minha pressa de ir embora. Não fosse que tinhas algo para dizer. Não fosse aquele último segundo, aquele último aceno quando me virei para ti e já não. O pó.
Traduzi saudade. Traduzi estar só. Eu que não falava uma palavra sequer desses idiomas. Eu que era analfabeta de estar sem ti. Aprendi o beabá da solidão e todos os seus silêncios e ostracismos. Voltei, me redimi. Sei mais de um idioma. Abraço a liberdade. Ao som de minha nudez diante do mundo: ar puro.
21:45 Posted in De paixões e primaveras | Permalink | Comments (1) | Email this
Comments
Saudade é daquelas palavras que, dizem, caracteriza muito da cultura portuguesa, é daquelas palavras sem tradução possível ou cuja tradução é dificilmente bem concretizada. Saudade! A saudade que chega e vai crescendo. Saudade do que já se teve e não se tem mais, do que nunca se teve e sempre se quer mais e mais. Saudade de ti, sejas tu quem fores, estejas tu onde estiveres. Saudades de mim, talvez, essas as decisivas saudades, porque eram saudades de mim e de ti.
Posted by: Elisabete | 05/01/2006
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