12/16/2005

Da série cartas

Escrito em Porto Alegre, 08 de setembro de 2005.

Não te escrevo cartas. Te procuro nos livros que enxergo em manuscritos que não te foram entregues. Não te escrevo livros, embora adormeçam em mim palavras para ti.
Toco os lábios que não dizem, nem beijam pois as flores que desenho se colam em minha boca tatuada de ti. Pergaminho amarelecido pelas horas em que não te esperei. Onero:ônus:sou. Construo um conto vazio entre a clarabóia de minha casa e a cama na qual ondas cheias de espuma brilham num cetim pálido e frio. Venta e tenho as mãos calmas de ti. Antevejo. Mas não te escrevo cartas. Bordo umas canções com fio de ouro branco na lapela de meus sonhos. Moldo prata vermelha no contorno de meus olhos (que já não te querem). Moldo prata vermelha no contorno de meus olhos que te fulminam e desejam, sem parar. Anoiteceu e teu sorriso se esvaiu. Não te encontro porque já não existes.

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