06/30/2006
As janelas abertas por Matisse
Ao abrir a janela, me deparo com beijos qua guardei para quando estivesse imersa em silêncio, soterrada em solidão. Para quando, sonâmbula e etérea, sobrevoasse por tua cidade e não estivesse perto o suficiente. Minha beijaria é música e sentidos, cor, retrato das horas alegres.
Posta a mesa, sento-me e espero. O vermelho de dentro de mim, nem sempre aparece. O azul do lado de fora, carrega-me pelos ares, faz com que eu vague mais em azul do que em vermelho. O vermelho é novo, e embora, vivo e quente, ainda acostuma-se em mim. Travamos diálogos curtos que, às vezes, explodem e me deixam em chamas.
Tento ludibriar o tempo. Reverti as sínteses, ação maior: enfeitar meus dias flutuando amor, catando ventos, existindo no maciço dos dias. Sem estardalhaços, para não despertar do sonho, para abrir a janela pela manhã e amparar com as mãos teu coração arredio.
Os barcos trouxeram alguma música, um fervor não esperado. Vieram pelo azul, deslizando, rompendo, na emulsão fotossensível, atrás da sala. Guardo as cartas ainda, em uma caixa colorida todos os cartões com tua letra disforme e única. Não lembro-me do farol, mas não esqueci teu adeus. Sou sul, janela e mar. Vermelho novo por dentro, azul dele por fora.
As imagens são de Matisse, copiadas do Google.
11:25 Posted in Cinco Sentidos | Permalink | Comments (0) | Email this
06/20/2006
Latcho Drom

Imagem roubada do Google. Expressão de Busca Latcho Drom
No álbum de família faltam os violões, os tambores. Os pandeiros também já não estão. Em muitas das fotos faltam rostos. Há um vazio que não é preenchido por nada além de memórias. Parece que paira no ar uma saudade sólida, que posso tatear. Vejo uma família ruindo. Aos poucos vão sumindo as mãos amigas, as vozes, as festas na madrugada de neblina, a geada no campinho da esquina.
A solidez do cimento e o frio de quem esta só: dor duplicada.
Primavera amputada pelos ventos de maio.
18:30 Posted in Álbum de Família | Permalink | Comments (0) | Email this
06/16/2006
Dance me to Paris
Dance Me To The End Of Love
Leonard Cohen
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
09:11 Posted in De paixões e primaveras | Permalink | Comments (1) | Email this